O poder de Exu, Grande Rio desmistifica Exu e desfila aos gritos de 'é campeã'


RIO DE JANEIRO| A Grande Rio entrou hoje na Marquês de Sapucaí com uma importante missão. O objetivo da escola era desmistificar o senso comum sobre Exu, uma das entidades mais louvadas das religiões de matriz africana. Parece que funcionou. Aos gritos de "é campeã", a escola encerrou sua apresentação sendo creditada ao título inédito.


Com o samba-enredo "Fala, Majeté! Sete chaves de Exu" a escola de samba carioca quis criar consciência sobre a bondade e poder da entidade, além de lutar contra o preconceito que religiões de matriz africana sofrem no Brasil.


"Nosso enredo busca quebrar esses estereótipos negativos que são ligados à figura e ao poder de Exu", declarou o carnavalesco Gabriel Haddad.


Para ajudar na missão, como é de praxe, a agremiação de Caxias contou com a poderosa presença de diversos famosos. A começar pela rainha de bateria, Paolla Oliveira. Toda de vermelho, a rainha de bateria foi representando a magia das pomba-giras.



A atriz foi acompanhada do namorado, Diogo Nogueira, portelense que desfilou com a Grande Rio para acompanhar a amada. Os ex-BBB's Gil do Vigor, Camilla de Lucas e Pocah também desfilaram.

As atrizes Monique Alfradique e Mônica Carvalho foram como destaques de chão, assim como Gil que celebrou suas origens pernambucanas com a fantasia "no frevo do amor".


Como foi o desfile


Na comissão de frente a representação de Exu em cima de um globo terrestre que se erguia perante aos jurados levantou o público presente. O abre-alas trouxe uma grande encruzilhada com barcas de Exu e assentamentos.


Depois, um terreiro e casas de prostituição e bares além de mercados municipais mostravam lugares significativos para a manifestação da entidade. A rainha de bateria Paolla Oliveira brilhou e os ritmistas vieram representando gira do malandro conduzidos pelo mestre Fafá.


Com muitas paradinhas a ponto de conseguir ouvir o canto da escola, o samba rendeu bastante. Já é considerado um dos mais bonitos da história da escola e também da safra deste ano. O quinto carro da escola provavelmente será a grande imagem que fica do Carnaval de 2022.


Uma escultura gigante de um bate-bola, uma pessoa mascarada com muitas cores trouxe alegria e leveza para o enredo que poderia ser aparentemente difícil de se compreender. Ao término a escola pede o combate à intolerância religiosa e se credencia ao inédito título na história da agremiação de Caxias.



Explicando Exu Tanto para a Umbanda, quanto para o Candomblé, Exu é quem faz a comunicação entre os humanos e os orixás. Entre os fiéis, é Exu quem é chamado para abrir os caminhos, superar dificuldades e chegar aos objetivos.


No entanto, por ser representado com roupas pretas e usar um tridente, aqueles que não conhecem confundem sua imagem por algo ruim, que se assemelha à maldade. Assim, os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad focaram em mostrar que, mesmo com tantos mistérios e diferentes interpretações, a verdade sobre Exu é que ele também é uma coisa boa e está presente na vida de todos.


Estamira Gomes de Sousa, ex-catadora de um lixão que teve a vida retratada no documentário "Estamira" (2004), serviu de fio condutor para a narrativa do enredo da Grande Rio. É por meio dela que acontece a "comunicação" com Exu.


A mulher morreu em 2011, de infecção generalizada, e lidou com distúrbios mentais durante a vida. "Em uma cena do documentário, ela aparece pegando um telefone no lixão e diz: 'Alô, Exu! Fala Majeté!'. A partir daí veio a conexão de Estamira com Exu".


"Não é uma palavra que tenha sentido único, ela tem diversas possibilidades, assim como a energia e figura de exu, que abre diversas possibilidades para a gente.

A gente utilizou no título do enredo 'Majeté', porque é algo que pede para falar, e Exu é esse falatório, esse pronunciamento, esse movimento. Então é uma forma de dizer: 'Fala, Grande Rio!", explicou Haddad.