Gravação mostra viúva de vereador sendo agredida durante velório do marido em São Paulo


GUARUJÁ-SP| O velório do vereador José Nilton Lima de Oliveira, o Doidão (PSB), 65, realizado na ultima sexta-feira (4/03) nas dependências da Câmara de Vereadores de Guarujá, no litoral de São Paulo, foi marcado por xingamentos, agressões e muita confusão. O tumulto, registrado em vídeo, começou quando a viúva, Miria Santos, 28, se aproximou do caixão do marido para se despedir. Hoje, o advogado dela alega que a mulher também teria sido impedida de acompanhar o enterro do marido. Doidão era presidente da Câmara de Vereadores do município. Ele morreu em um acidente de carro na última quarta-feira (2), quando seu veículo bateu na traseira de uma carreta, no bairro Vicente de Carvalho.

No vídeo, é possível ver o momento em que Miria chega ao velório, realizado ontem (3), no salão do Legislativo guarujaense, acompanhada da irmã, Sarah, e de alguns familiares e amigos. Eles se aproximam do caixão e um homem de camiseta preta, que estava em pé, ao lado do ataúde, começa a discutir com ela. Segundo testemunhas, ele seria filho da primeira esposa de Doidão, já falecida.


Ele começa a gritar com a viúva, gesticulando para que ela vá embora. Depois, mais exaltado, dá a volta ao redor do caixão, e começa a agredi-la. Outras pessoas que estavam na cerimônia tomam partido do homem e começam a xingar Miria, avançando para cima dela.


Em meio a empurrões, tapas, socos e chutes, Miria e as pessoas que a acompanhavam foram escoltadas até a sala de imprensa, onde permaneceram até que os ânimos se acalmassem. Depois, com ajuda de guardas municipais, a viúva deixou a sede do legislativo, por uma saída alternativa, aos prantos, e entrou numa viatura da PM, que a conduziu até a delegacia da cidade.



"Ele me ameaçou de morte, ele gritou na Câmara que ia acabar comigo e com a minha família. Foi horrível", lamentou a viúva, em áudios encaminhados a amigos no WhatsApp. "Estou na delegacia. Nos agrediram, agrediram meus irmãos, foi horrível. Foi a pior humilhação", contou, com a voz embargada.


Acompanhada de seu advogado, Miria registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal, calúnia, difamação e ameaça. Em seu depoimento à polícia, ela afirma que foi agredida pelo homem em questão e duas mulheres, uma aparentando ter 62 anos, e a outra, 19. "Ambas de cabelos encaracolados e ruivos". Sarah, irmã da viúva, também teria sido vítima das agressões. Elas alegam que outras pessoas desconhecidas também teriam desferido contra elas empurrões e chutes.


De acordo com o depoimento, o homem que teria iniciado as agressões "fez gestos para as vítimas, passando a mão em seu pescoço" e dizendo: "vou acabar com vocês e sua família". Miria relata ainda que várias pessoas, incitadas pelo mesmo homem, passaram a proferir ofensas, dizendo coisas como "o que essa vagabunda está fazendo aqui?"


Rumores sobre separação


Rumores sobre uma suposta separação do casal dias antes da morte de Doidão se espalharam nas redes sociais, em posts e comentários. Em seu relato no boletim, Miria esclarece que vivia maritalmente com Doidão há mais de 14 anos. Eles teriam tido um desentendimento "por conta de fofocas", o que os levou a se afastar por um tempo. No entanto, dias antes do acidente que vitimou o marido, eles teriam se reconciliado.


Após ter registrado o boletim de ocorrência, Miria foi levada a um hospital de Guarujá, na noite de ontem. Segundo o advogado dela, Valdemir Santana, ela tinha hematomas e escoriações pelo corpo e deve passar por exame de corpo de delito nos próximos dias.


"Vamos representar pelo prosseguimento das investigações e requerer à Autoridade Policial que preside apuração para requisitar as imagens captadas pelas câmeras do plenário do Legislativo, visando identificar e qualificar os demais agressores", afirmou Santana. "Também vamos requerer medidas protetivas em razão das ameaças". Segundo o advogado, ela estaria "arrasada" e com medo das ameaças que sofreu.