Dia do Gari: saiba como surgiu a data e a importância do profissional na vida das cidades


MANAUS| O dia do Gari é comemorado anualmente em 16 de maio, em todo o Brasil. Esta data tem o objetivo de homenagear os profissionais responsáveis em manter a limpeza pública das grandes e pequenas cidades. No Brasil os garis não recebem o devido respeito e visibilidade que merecem, são vitimas da violência urbana e piadinhas de mal gosto quando estão exercendo seu trabalho e, é graças ao seu trabalho que os cidadãos podem viver em uma cidade mais limpa e bonita. É muito importante cada indivíduo fazer a sua parte e não jogar lixo nas ruas.


E como surgiu o dia do Gari:

Em 1876, o francês Pedro Aleixo Gary, empresário, assinou com o então Ministério Imperial o primeiro contrato de Limpeza Pública do Brasil. Assim, sua empresa passou a ser responsável pela remoção do lixo das casas e praias do Rio de Janeiro. A empreitada durou pouco tempo, apenas 1 ano. Extinto o contrato, foi inaugurada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da cidade, que passou a cuidar dessa tarefa. Nesse pouco tempo, os cariocas se acostumaram a chamar os profissionais da limpeza de "turma do Gary", sobrenome do empresário. Precisa de limpeza? "Chama os Garys". A pronúncia mudou, mas o apelido pegou. Aos poucos o nome se generalizou e até hoje são chamados de 'Garis'. Homenagens- Eles capinam, varrem, coletam, lavam e pintam. Sempre tem um gari em ação para manter Manaus limpa nos finais de semana ou feriados, 24 horas por dia. Na capital amazonense, pelo menos 2,5 mil profissionais da Prefeitura de Manaus trabalham todos os dias para deixar a cidade livre do acúmulo de lixo e evitar a proliferação de doenças.

Nesta segunda-feira, 16/05, Dia do Gari, a data tem o objetivo de homenagear os profissionais responsáveis pela limpeza das vias públicas e de todo o lixo gerado naturalmente ou por ação do ser humano.


Alan Araújo, mais conhecido como Alanzinho, é um desses profissionais que continuam na labuta. Aos 41 anos, ele sai de casa todos os dias às 4h50 da manhã em direção à sede da Semulsp, na Compensa, zona Oeste, para fazer a varrição do local. Na profissão há 22 anos, ele diz que não pensa em largar o ofício.

Alan chegou à Semulsp como coletor de lixo e hoje gerencia uma equipe de varrição e capinação. “O antigo secretário da Semulsp, Sabá Reis, me disse que eu tinha um grande potencial para ser um dos seus líderes e me colocou como gerente de Operação da Semulsp”, contou.

Quando ele entrou na empresa terceirizada, sofreu preconceito por causa da altura, mas superou os obstáculos mostrando o seu potencial.

Alan define o gari como um anjo criado por Deus. “Ele foi criado por Deus para limpar a sujeira que algumas pessoas fazem. Eu defino o gari como um atleta da limpeza”, ressaltou.


Oportunidades de crescimento- A Semulsp, por meio de empresas terceirizadas, promove oficinas e treinamentos para aqueles que desejam crescer na instituição. Garis que hoje possuem nível superior ou que exercem cargos de gerência, como a Rosana Oliveira.

Ela entrou em 2004 na Semulsp para capinação, depois jardinagem e, em seguida, na varrição. Por último, levando em consideração o reconhecimento do seu trabalho, em 2018 foi promovida para o setor administrativo do departamento de cemitério da pasta.

Rosana sempre foi determinada e concluiu o curso de Serviço Social. Atualmente, cursa a segunda graduação e foi selecionada para uma bolsa de estudos em Direito no Programa Bolsa Universidade, da Prefeitura de Manaus.

“Uma vez me perguntaram o porquê gari quer estudar e falei que era para adquirir conhecimento. Nós somos julgados como garis que cheiram mal, pedintes e que não sabem nem assinar seu nome. Tudo isso me fazia muito mal. E agora eu estou cursando minha segunda graduação, contou.

Rosana revela o orgulho que tem pela profissão. “Tenho muito orgulho da minha profissão, pois se não fosse a contribuição do meu trabalho, a cidade não ficaria tão limpa e bonita. Algumas pessoas não valorizam muito, mas isso não me abala, sempre chego motivada para fazer o meu serviço da melhor forma todos os dias”, contou.

Alegria

Adriana Mello faz parte da equipe dos Garis da Alegria. Ela entrou na Semulsp em 2005, quando a prefeitura estava recrutando profissionais para área de limpeza pública. Mello foi gari do segundo turno do Terminal 5. Em seguida, assumiu uma equipe como líder no Centro da cidade. Em 2008 passou a ser líder de uma equipe de articulação comunitária, depois atuou na coleta seletiva e atualmente é integrante dos Garis da Alegria, grupo lúdico de educação ambiental.



“Eu sempre tive oportunidade de desenvolver o meu trabalho com o apoio dos secretários, participando de eventos e ações da prefeitura. Eles, como pessoas, sempre me apoiaram no meu trabalho e acreditaram no meu profissionalismo como servidora. Eu tenho um imenso orgulho de fazer parte da Semulsp”, revelou.

Ser gari, para Adriana, é ter responsabilidade com a cidade, cuidar e preservar o meio ambiente e passar para as pessoas que lugar de lixo é na lixeira e não nas ruas.

“Ser gari da alegria é transmitir educação ambiental, cuidado e respeito com o meio ambiente, é transformar o mundo mais limpo, é fazer as pessoas entenderem que precisamos estar juntos nessa luta para salvar o planeta por meio da prática da coleta seletiva e educação ambiental”, destaca.

Reconhecimento

A Prefeitura de Manaus reconhece o valor e dedicação de cada profissional em zelar pelo município. “Parabéns a todos os garis pelo seu dia, uma das profissões mais importantes para a nossa sociedade e que são essenciais para a nossa Manaus”, destacou o secretário da Semulsp, Altervi Moreira, que acrescentou que nesta segunda-feira, os garis terão uma festa de comemoração da data, na sede do ASEEL Clube Manaus, na avenida do Turismo, bairro Tarumã, zona Oeste.

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Informações– Semulsp