Chay Suede faz regime radical para definir o seu personagem em 'A Jaula'


SÃO PAULO| O ator Chay Suede faz 30 anos em junho. Embora jovem, já acumula uma experiência razoável no cinema. Participou de filmes como "A Frente Fria que a Chuva Traz", de Neville d'Almeida, em 2015, "Rasga Coração" de Jorge Furtado, "O Banquete", de Daniela Thomas, em 2018, e "Minha Fama de Mau", de Lui Farias, em 2019, entre outros.

Nenhuma dessas produções exigiu tanto dele quanto "A Jaula", suspense dirigido por João Wainer que estreia nesta quinta-feira.


Chay interpreta Djalma, um ladrão que tenta roubar o rádio de um carro, mas logo se dá conta de que está preso dentro do veículo, resultado de uma armadilha montada pelo médico Henrique, vivido por Alexandre Nero.




A Entrega física ao personagem- A entrega física e psicológica do ator ao personagem foi possível, em grande parte, graças ao fato de as filmagens terem acontecido na sequência prevista no roteiro.


"Tínhamos uma única locação, isolada, o que nos deu conforto para trabalhar. Assim, conseguimos fazer algo que é raro no cinema, filmar em ordem cronológica, o que ajudou muito na construção do Chay, o personagem dele vai definhando", conta Wainer.


"Definhar" talvez seja um verbo exagerado, mas não muito. "Eu tomava proteína com água depois do treino de boxe, que começava às cinco horas. Depois, fazia uma única refeição, o almoço, quando comia muito pouco, só o essencial", lembra Chay.


O emagrecimento acompanhou, dia após dia, a decadência física do personagem —ele tinha 78 quilos quando começou a se preparar para a produção e terminou o filme com 69 quilos.


A transformação do corpo foi determinante para moldar o comportamento de Djalma. "Passar o dia praticamente em jejum me deixava menos comunicativo e mais abatido", diz o ator capixaba. "Com certeza, esse foi o trabalho mais difícil que fiz no cinema."


A caracterização do personagem passou ainda por outros canais. Para assumir a fala e o jeito de Djalma, um jovem da periferia paulistana, Chay teve conversas longas com o pichador Cripta Djan e com o escritor Ferréz, entre outras pessoas indicadas por Wainer. Ouvia Racionais obsessivamente.


Também vasculhou as redes sociais para assistir a vídeos de rapazes que ele imaginava como parte do universo de Djalma. "Vou me cercando de coisas a ponto de ficarem familiares. Não preciso pensar nelas durante a cena, elas já estão em mim, é uma absorção", diz ele sobre o modo como se prepara para um personagem.




As filmagens dentro do espaço claustrofóbico do carro foram desafiadoras para Chay e também para Wainer e Leo Ferreira, o diretor de fotografia de "A Jaula".


"A gente tinha duas Pajeros no set. Uma [intacta] era filmada de fora. A outra foi toda picotada [para as cenas de Chay dentro do carro]. Tiramos porta, vidro… Virou um Lego", diz Wainer. "E eu desafiei o Leo no começo das filmagens a não repetir takes dentro do carro. Olha só, que sacanagem", ele lembra, rindo.


As filmagens dentro do espaço claustrofóbico do carro foram desafiadoras para Chay e também para Wainer e Leo Ferreira, o diretor de fotografia de "A Jaula".






"A gente tinha duas Pajeros no set. Uma [intacta] era filmada de fora. A outra foi toda picotada [para as cenas de Chay dentro do carro]. Tiramos porta, vidro… Virou um Lego", diz Wainer. "E eu desafiei o Leo no começo das filmagens a não repetir takes dentro do carro. Olha só, que sacanagem", ele lembra, rindo.